1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 3

Compartilhamos, abaixo, mais dois artigos para reflexão, ambos escritos por Rosely Sayão*.

* Rosely Sayão é psicóloga, consultora em educação e autora de vários livros

Leia nos sites de origem e, logo abaixo, os textos:

Em busca do bom senso […]

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2604200716.htm

Castigo e Impunidade

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1207200712.htm

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Em busca do bom senso […]

Na base de nossos conceitos e preconceitos educativos, tanto leigos quanto profissionais, existem algumas idéias a respeito do que significa ser uma criança ou um adolescente neste tempo que nos levam a cometer insanidades e a esquecer totalmente o bom senso. Acreditamos, por exemplo, que crianças sabem querer e que elas têm esse direito. Mas não temos a mínima idéia de como essa concepção é capaz de criar equívocos. Vejamos: se uma criança quer dormir na cama dos pais, estes, por mais que digam que não aceitam, no contato com o filho dizem, de maneira clara, que esse querer é legítimo.
Assim, milhares de crianças são privadas, todas as noites, de um sono reparador e, principalmente, de construir seu lugar em relação aos pais.
Outro exemplo é a criança pequena que só come em determinadas situações. Conheço crianças que almoçam passeando de elevador com a babá. Novamente, os pais não se dão conta de que eles autorizam -e até estimulam- tais situações. O que dizer, então, da idéia de que criança tem direito a ter respostas convincentes para tudo? São poucos os adultos que admitem responder ao filho que ele deve fazer determinada coisa simplesmente porque é necessário. A resposta dada tempos atrás, “porque sim”, é agora identificada como autoritária e considerada similar à “porque é preciso”. Por isso, pais e professores não consideram legítimo conduzir os mais novos a fazer coisas simplesmente porque é preciso. Eles buscam encontrar razões lógicas e, muitas vezes, se enrolam nessa empreitada. Já vi uma professora tentar convencer um aluno a escrever da esquerda para a direita sem sucesso porque a criança queria saber o porquê e a mestra não tinha uma boa resposta a dar.
E essa história de “autonomia” da criança? Temos levado isso tão a sério -ou melhor, de modo tão leviano- que abandonamos filhos e alunos em situações de endoidecer qualquer um deles. E a loucura na relação de adultos com crianças só aumenta porque, por outro lado, negamos alguns direitos básicos que elas têm em nome da proteção, em busca de evitar que sofram ou enfrentem frustrações e, principalmente, em nome da preparação delas para o futuro.
A criança tem o direito fundamental de brincar, certo ou errado? Assinalamos a segunda alternativa. Pais e professores simplesmente não permitem que a criança brinque. São eles que, agora, dirigem as brincadeiras e roubam a oportunidade de a criança criar seu jeito de brincar e de aprender a se virar sozinha em relação a essa atividade tão importante na vida dela, aliás, uma das únicas na qual deveria ter autonomia.
E o direito a participar das conversas que dizem respeito à própria criança, como sua saúde, seu comportamento, sua aprendizagem, seu castigo? Ah, isso não é coisa de criança! Ainda há médicos pediatras que pedem que a criança se retire depois do exame clínico para conversar só com o adulto; professores, diariamente, fazem observações de seus alunos aos pais destes na ausência das crianças. Em resumo: permitimos que elas falem bobagens quando não devem e impedimos que participem ativamente das conversas que efetivamente lhes dizem respeito.
Seria muito bem-vinda uma pedagogia baseada apenas no bom senso, não? Ou será que já perdemos isso?

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2604200716.htm

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Castigo e Impunidade

Que consideramos a impunidade um grande mal é fato; que creditamos a ela uma boa parte dos problemas de violência, também. Pensando nisso, como os pais ensinam aos filhos que seus atos produzem conseqüências?
Uma educadora me contou um fato interessante: um aluno cometeu uma transgressão e recebeu uma penalidade. No dia seguinte, o pai foi solicitar uma conversa com a orientadora. Quando isso ocorre, os educadores sabem o que esperar porque muitos pais não aceitam que o filho arque com as conseqüências de seus atos no espaço escolar ou não concordam com a sanção, que costumam achar severa demais.
Pois, para o espanto dessa educadora, o que o pai queria era manifestar apoio à atitude da escola para que o filho tivesse a oportunidade de aprender que os atos têm conseqüências. Vale dizer que o pai estava bastante sensibilizado com o tema por causa das notícias sobre comportamentos violentos praticados por jovens. Este é, portanto, um bom momento para refletir sobre o castigo.
De largada, vamos pensar a respeito do castigo corporal, amplamente usado por pais de todas as classes sociais. Ele costuma parecer eficaz porque produz efeitos imediatos, ou seja, o filho deixa de fazer o que não deve ou faz o que deve rapidamente. Mas tal efeito é efêmero, como os próprios pais podem constatar. Além disso, o castigo físico tem mais a ver com o humor dos pais ou com seu descontrole do que com o comportamento do filho. De qualquer forma, um castigo corporal é uma violência física contra os mais novos e, portanto, não pode ser educativo.
As punições exageradas e as que são aplicadas e não honradas pelos pais também ocorrem com muita freqüência. Um garoto que não fez a lição de casa antes de a mãe voltar do trabalho não pode assistir a seu programa de TV favorito por três dias. Muita coisa, não? Uma adolescente que não cumpriu o horário de retorno de uma festa foi proibida de ir à próxima, mas tanto reclamou e fez cara feia que ganhou dos pais a permissão.
Afinal, o castigo deve ser usado na educação e funciona? A resposta é sim para as duas perguntas. O castigo consistente pode ser uma boa estratégia para fazer frente às transgressões cometidas pelos filhos e para responsabilizá-los pelo que fazem. Para isso, é preciso que os pais, antes de aplicar uma punição, tenham uma atitude educativa firme e coerente.
Castigo em criança pequena não faz muito sentido. A contenção -que já é uma sanção- usada para que o filho deixe de fazer algo que não deve e a tutela constante para que faça o que deve já são atitudes suficientes. Colocar a criança pequena para “pensar” não se sustenta, já que ela nem sequer tem autonomia para tanto. Os pais de filhos nessa idade devem ter muita paciência e disponibilidade: não podem ficar bravos sempre que eles não se comportam de acordo com as normas nem podem achar graça nisso.
Para os maiores de seis anos, o castigo é educativo desde que precedido de regras claras e justificadas. A repetição das orientações, independentemente de elas serem ou não seguidas, não revela autoridade.
E é bom lembrar que o castigo aponta sempre o que não deve ser feito. Por isso, é insuficiente como estratégia educativa, já que queremos que os mais novos aprendam o que deve ser feito, o que é bom, o que é certo.
Tanto as atitudes educativas quanto a aplicação de castigos exigem que os pais usem bem a autoridade e as palavras dirigidas aos filhos, conversem praticando o olho-no-olho, escutem os filhos de maneira interessada e sejam coerentes.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1207200712.htm

 

CEB – Centro Educacional Brandão
http://www.ceb.g12.br
Alameda dos Tupiniquins, 997 – Moema – SP

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