Que tipo de filhos queremos deixar para o mundo?

Que tipo de filhos queremos deixar para o mundo?

A partir desta significativa pergunta, fomos estimulados, na última quarta-feira, a refletir sobre os rumos da educação que desejamos para nossos filhos e alunos.

Professor Mario Sergio Cortella, figura de presença forte e marcante, com leveza nas palavras, descontração e com equivalente seriedade (afinal, “seriedade não é sinônimo de tristeza”), trouxe à tona inúmeras situações que podem parecer óbvias a princípio, mas que se configuram como exemplos importantes do passado e do presente de como guiamos e direcionamos nossos filhos no caminho de valores e princípios em que acreditamos.

Comprometer-se com o papel de educador implica em compreender que essa missão é de longa duração, que não se faz da noite para o dia (afinal, “A vida não é 100 metros rasos. A vida é Maratona”). E não se faz sozinho. Família e escola caminham juntas nesta jornada de educação e formação em busca da autonomia. Acelerar, reduzir, economizar fôlego, repensar e ter paciência fazem parte deste jogo. O tempo é nosso aliado.

Novos tempos, novos paradigmas exigem novos jeitos de olhar. Olhar para trás, resgatar o que há de valoroso,  analisar o presente com discernimento e agir agora em nome do futuro, é um movimento extremamente valioso. Afinal, a missão de “formar gente competente para melhorar o mundo” é séria e necessita de muito investimento conjunto.

A lição que fica é que, acima de tudo, precisamos de coragem (que nada mais é do que a capacidade de enfrentar o medo). Coragem para reestabelecer o que é prioridade, para ter sempre em mente que, apesar do amor imensurável, os desejos de nossos filhos não são sinônimos de direito. Coragem para acreditar que o “não” também se justifica pelo amor. Coragem para estar alerta e perceber quando atingimos o suficiente. Para se fortalecer e não se subordinar. E, acima de tudo, esperançar.

Afinal, “O mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende muito dos filhos que nós vamos deixar para este mundo”.

Ana Carolina Moura
Coordenadora Pedagógica e Educacional do Ensino Fundamental 2

 

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Professor Mario Sergio Cortella – sugestão de artigo

Professor Mario Sergio Cortella – sugestão de artigo

Na próxima quarta-feira, dia 10/8, teremos o filósofo e professor Mario Sergio Cortella conversando com nossa comunidade aqui no CEB.

Conheça mais um pouco sobre o educador lendo um artigo muito interessante publicado esta semana na Folha de São Paulo. Reproduzimos, abaixo, o texto integral e indicamos a fonte.

 

Bem-formada, nova geração chega mal-educada nas empresas, diz filósofo

3/8/2016

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/08/1798361-bem-formada-nova-geracao-chega-mal-educada-nas-empresas-diz-filosofo.shtml?cmpid=facefolha

Segunda-feira, seis da manhã. O despertador toca e você não quer sair da cama. Está cansado? Ou não vê sentido no que faz?

Na introdução de seu novo livro, o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella coloca em poucas palavras o questionamento central da obra, “Por que fazemos o que fazemos?”. Lançada em julho, ela trata da busca por um propósito no trabalho, uma das maiores aflições contemporâneas.

Em entrevista à BBC Brasil, Cortella, também doutor em Educação e professor, fala como um mundo com muitas possibilidades levou as pessoas a negar que sejam apenas mais uma peça na engrenagem. E explica como a combinação de um cenário imediatista, anos de bonança e pais protetores fez com que a “busca por propósito” dos jovens seja muitas vezes incompatível com a realidade.

“No dia a dia, a pessoa se coloca como alguém que vai ter um grande legado, mas fica imaginando o legado como algo imediato”, diz.

Essa visão “idílica”, diz o filósofo, torna escritórios e salas de aula em palcos de confronto de gerações.

“Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada. Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela.”

 

Leia os principais trechos da entrevista abaixo:

BBC Brasil – O que desencadeou a volta da busca pelo propósito?

Mario Sergio Cortella – A primeira coisa que desencadeou foi um tsunami tecnológico, que nos colocou tantas variáveis de convivência que a gente fica atordoado.

A lógica para minha geração foi mais fácil. Qual era a lógica? Crescer, estudar. Era escola, e dependendo da tua condição, faculdade. Não era comunicação em artes do corpo. Era direito, engenharia, tinha uma restrição.

Essa overdose de variáveis gerou dificuldade de fazer escolhas. Isso produz angústia em relação a esse polo do propósito. Por que faço o que estou fazendo? Faço por que me mandam ou por que desejo fazer? Tem uma série de questões que não existiam num mundo menos complexo.

Não foi à toa que a filosofia veio com força nos últimos vinte anos. Ela voltou porque grandes questões do tipo “para onde eu vou?”, “quem sou eu?”, vieram à tona.

BBC Brasil – Podemos dizer que nesse contexto vai ser cada vez menor o número de pessoas que não tem esses questionamentos?

Mario Sergio Cortella – Cada vez menor será o número de pessoas que não se incomoda com isso. O próprio mundo digital traz o tempo todo, nas redes sociais, a pergunta: “por que faço o que faço?”, “por que tomo essa posição?”. E aquilo que os blogs e os youtubers estão fazendo é uma provocação: seja inteiro, autêntico. É a expressão “seja você mesmo”, evite a vida de gado.

BBC Brasil – No seu livro, você fala da importância do reconhecimento no trabalho. Qual é ela?

Mario Sergio Cortella – O sentir-se reconhecido é sentir-se gostado. Esse reconhecimento é decisivo. A gente não pode imaginar que as pessoas se satisfaçam com a ideia de um sucesso avaliado pela conquista material. O reconhecimento faz com que você perca o anonimato em meio à vida em multidão.

No fundo, cada um de nós não deseja ser exclusivo, único, mas não quer ser apenas um. Eu sou um que importa. E sou assim porque é importante fazer o que faço e as pessoas gostam.

BBC Brasil – Pelo que vemos nas redes sociais, os jovens estão trazendo essa discussão de forma mais intensa. Você percebeu isso?

Mario Sergio Cortella – Há algum tempo tenho tido leitores cada vez mais jovens. Como me tornei meio pop, é comum estar andando num shopping e um grupo de adolescentes pedir para tirar foto.

Uma parcela dessa nova geração tem uma perturbação muito forte, em relação a não seguir uma rota. E não é uma recuperação do movimento hippie, que era a recusa à massificação e à destruição, ao mundo industrial.

Hoje é (a busca por) uma vida que não seja banal, em que eu faça sentido. É o que muitos falam de ‘deixar a minha marca na trajetória’. Isso é pré-renascentista. Aquela ideia do herói, de você deixar a sua marca, que antes, na idade média, era pelo combate.

O destaque agora é fazer bem a si e aos outros. Não é uma lógica franciscana, o “vamos sofrer sem reclamar”. É o contrário. Não sofrer, se não for necessário.

Uma das coisas que coloco no livro é que não há possibilidade de se conseguir algumas coisas sem esforço. Mas uma das frases que mais ouço dos jovens, e que para mim é muito estranha, é: quero fazer o que eu gosto.

BBC Brasil – Esse é um pensamento comum entre os jovens quando se fala em carreira.

Mario Sergio Cortella – Muito comum, mas está equivocado. Para fazer o que se gosta é necessário fazer várias coisas das quais não se gosta. Faz parte do processo.

Adoro dar aulas, sou professor há 42 anos, mas detesto corrigir provas. Não posso terceirizar a correção, porque a prova me mostra como estou ensinando.

Não é nem a retomada do ‘no pain, no gain’ (‘sem dor, não há ganho’). Mas é a lógica de que não dá para ter essa visão hedonista, idílica, do puro prazer. Isso é ilusório e gera sofrimento.

BBC Brasil – O sofrimento seria o choque da visão idílica com o que o mundo oferece?

Mario Sergio Cortella – A perturbação vem de um sonho que se distancia no cotidiano. No dia a dia, a pessoa se coloca como alguém que vai ter um grande legado, mas fica imaginando o legado como algo imediato.

Gosto de lembrar uma históra com o Arthur Moreira Lima, o grande pianista. Ao terminar uma apresentação, um jovem chegou a ele e disse ‘adorei o concerto, daria a vida para tocar piano como você’. Ele respondeu: ‘eu dei’.

Há uma rarefação da ideia de esforço na nova geração. E falo no geral, não só da classe média. Tivemos uma facilitação da vida no país nos últimos 50 anos – nos tornamos muito mais ricos. Isso gerou nas crianças e jovens uma percepção imediatizada da satisfação das necessidades. Nas classes B e C têm menino de 20 anos que nunca lavou uma louça.

BBC Brasil – Quais as consequências dessa visão idealizada?

Mario Sergio Cortella – Uma parte da nova geração perde uma visão histórica desse processo. É tudo ‘já, ao mesmo tempo’. De nada adianta numa segunda castigar uma criança de cinco anos dizendo: sábado você não vai ao cinema. A noção de tempo exige maturidade.

Vejo na convivência que essa geração tem uma visão mais imediatista. Vou mochilar e daí chego, me hospedo, consigo, e uma parte disso é possível pelo modo que a tecnologia favorece, mas não se sustenta por muito tempo.

Quando alguns colocam para si um objetivo que está muito abstrato, sofrem muito. Eu faço uma distinção sempre entre sonho e delírio. O sonho é um desejo factível. O delírio é um desejo que não tem factibilidade.

BBC Brasil – Muitos deliram nas suas aspirações?

Mario Sergio Cortella – Uma parte das pessoas delira. Ela delira imaginando o que pode ser sem construir os passos para que isso seja possível. Por que no campo do empreendedorismo existe um nível de fracasso muito forte? Porque se colocou mais o delírio do que a ideia de um sonho.

O sonho é aquilo que você constrói como um lugar onde quer chegar e que exige etapas para chegar até lá, ferramentas, condições estruturais. O delírio enfeitiça.

BBC Brasil – Qual é o papel dos pais para que a busca pelo propósito dos jovens seja mais realista?

Mario Sergio Cortella – Alguns pais e mães usam uma expressão que é “quero poupar meus filhos daquilo que eu passei”. Sempre fico pensando: mas o que você passou? Você teve que lavar louça? Ou está falando de cortar lenha? Você está poupando ou está enfraquecendo? Há uma diferença. Quando você poupa alguém é de algo que não é necessário que ele faça.

Tem coisas que não são obrigatórias, mas são necessárias. Parte das crianças hoje considera a tarefa escolar uma ofensa, porque é um trabalho a ser feito. Ela se sente agredida que você passe uma tarefa.

Parte das famílias quer poupar e, em vez de poupar, enfraquecem. Estamos formando uma geração um pouco mais fraca, que pega menos no serviço. Não estou usando a rabugice dos idosos, ‘ah, porque no meu tempo’. Não é isso, é meu temor de uma geração que, ao ser colocada nessa condição, está sendo fragilizada.

BBC Brasil – Sempre lemos e ouvimos relatos de conflitos de gerações entre chefes e subordinados, alunos e professores. Como se explicam esses choques?

Mario Sergio Cortella – Criou-se um fosso pelo seguinte: uma criança ou jovem é criado por adultos, que são seus pais e mantêm com eles uma relação estranha de subordinação. A geração anterior sempre teve que cuidar da geração subsequente e essa vivia sob suas ordens.

A atual geração de pais e mães que têm filhos na faixa dos dez, doze anos, é extremamente subordinada. Como há por parte dos pais uma ausência grande de convivência, no tempo de convivência eles querem agradar. É a inversão da lógica.

Essa lógica faz com que, quando o jovem vai conviver com um adulto que sobre ele terá uma tarefa de subordinação, na escola ou trabalho, haja um choque. Parte da nova geração chega nas empresas mal-educada. Ela não chega mal-escolarizada, chega mal-educada.

Não tem noção de hierarquia, de metas e prazos e acha que você é o pai dela. Obviamente que ela também chega com uma condição magnífica, que é percepção digital, um preparo maior em relação à tecnologia.

 

 

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1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 4

1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 4

Compartilhamos mais alguns artigos que abordam temáticas discutidas no 1º Encontro Espiral do Saber, também de autoria de Rosely Sayão*.

* Rosely Sayão é psicóloga, consultora em educação e autora de vários livros

Leia os artigos no site de origem e, logo abaixo, os textos, na íntegra:

Adolescência Antecipada

e

Elogios em Excesso

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-09-16_2008-09-30.html

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Adolescência Antecipada

A garotada de dez e 11 anos não se identifica mais como criança. Responsabilidade nossa, que temos tido toda a pressa do mundo para colocar as crianças no mundo adulto.

Conversamos com crianças pequenas e oferecemos explicações como se pudessem entender a complexidade de determinados fatos do mundo adulto e lidar com eles; estabelecemos pequenos contratos (os “combinados”) como se elas tivessem o mesmo estatuto do adulto e pudessem cumprir sua parte; fazemos com que freqüentem locais antes exclusivos dos adultos com a desculpa de que precisam conhecer o estilo de vida dos pais; exigimos que façam escolhas como se já soubessem arcar com a renúncia e tivessem autonomia para tanto e, para coroar, chamamos as crianças da idade mencionada de pré-adolescentes.

Bem, isso gera inúmeras conseqüências, e vou tratar de uma bem importante: a entrada precoce das crianças dessa idade no relacionamento erótico-afetivo. Por sinal, uma leitora que é mãe de uma garota de 11 anos constatou que crianças dessa idade -e até de um pouco menos- têm solicitado aos pais permissão para namorar. Eu já percebi também que crianças dessa mesma faixa de idade usam ofensas de caráter erótico para intimidar colegas.

Quando as crianças pedem licença aos pais para namorar, é preciso ouvir o pedido além das palavras pronunciadas. Crianças dessa idade não costumam pedir autorização para transgredir regras, para fazer o que querem, mesmo que escondido. Elas fazem mesmo sabendo que não deveriam. Se pedem, é sinal de que não conseguem dar conta sozinhas e de que precisam do adulto.

A vontade de “namorar” foi plantada de inúmeras formas e elas nem sabem se querem mesmo. É bem provável que não, já que ainda têm outros interesses muito mais pertinentes ao mundo infantil. Mas, do mesmo modo que não têm discernimento para perceber isso, não têm condições de fazer frente à pressão social para que assim se comportem.

Talvez seja exatamente a proibição dos pais o que elas buscam e do que precisam. Afinal, é muito mais fácil responsabilizar o “pai careta” ou a “mãe chata” por qualquer restrição ou diferença.

É preciso também ouvir a idéia que elas têm sobre namoro. Quando uma garota que completaria 11 anos me contou que tinha namorado, perguntei o que faziam juntos. “Fico encostada nele, pego na mão, beijo”, disse. Quando perguntei se também conversavam, ela reagiu com um sorriso e um suspiro, que interpretei como “Em que mundo você vive?”.

É isto: a idéia que as crianças têm de namoro -construída com nossa permissão- está ligada às sensações corporais apenas, não mais ao diálogo que busca o conhecimento mútuo, tampouco às emoções e ao compromisso.

Como assinalou a leitora, não dá para os adultos encararem essa situação como uma “inocente brincadeira de faz-de-conta”. Não nessa idade. Isso ocorre antes dos seis anos, quando as crianças imitam a vida dos adultos.

Fonte:

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-09-16_2008-09-30.html

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Elogios em Excesso

Muitas famílias têm transformado a educação dos filhos em um grande processo de barganha. Vale quase tudo para conseguir que as crianças e os adolescentes obedeçam, esforcem-se, dediquem-se, cumpram com suas obrigações e não façam o que não deve ser feito: oferecer presentes -que, conforme a idade do filho, chegam a ser bem custosos-, dar dinheiro, prometer passeios, elaborar quadros de incentivos inspirados no programa de TV “Supernanny” e, principalmente, elogiar.

O elogio, em especial, virou moeda de troca fácil nesse processo equivocado. O filho fez um desenho? Dá-lhe elogio.Fez a lição, arrumou a cama, estudou, tirou nota boa, tomou banho no horário determinado ou dormiu em sua própria cama? Dá-lhe elogio. Agora, quase tudo o que as crianças fazem virou motivo para elogio.

Os pais acreditam que elogiar o filho ajuda a criança a se ter em boa conta e a enfrentar as novas aprendizagens que surgem a cada dia e, portanto, que se trata de um agente do bom desenvolvimento e crescimento. Na verdade, elogiar em demasia -e é isso o que tem acontecido- atrapalha tal movimento. Por quê?

Em primeiro lugar, porque o elogio está sempre ligado a algum resultado: um comportamento, uma aprendizagem ou a finalização de alguma atividade. O elogio é a apreciação favorável de um produto considerado bom. Só que, para alcançar tal resultado, a criança precisou realizar um processo que exigiu mais ou menos esforço ou persistência, e, para o crescimento, isso é o que importa.

Do jeito que as coisas andam, crianças têm recebido elogios por coisas que não exigiram esforço nenhum. Além disso, é preciso lembrar que nem todo bom processo se converte em bons resultados, não é? Do modo como o elogio tem sido usado, todo o procedimento é ignorado em nome do resultado. A criança aprende que o importante é acertar, e não aprender, e isso não pode ser uma boa coisa. Afinal, para aprender, é preciso reconhecer a ignorância e correr o risco de errar, e quem visa ao elogio não quer correr tal risco.

Em segundo lugar, o elogio freqüente torna a criança quase dependente da aprovação dos pais -do outro, portanto-, e isso impede que se veja, que se auto-avalie e que reconheça o valor do que faz. O elogio em excesso infantiliza. Por sinal, podemos constatar o quão infantilizado está o mundo adulto justamente pela busca do elogio. Muitos adultos, mesmo na vida profissional, têm feito de tudo para ganhar elogios e reclamam quando não os obtêm. Há algo mais infantil? Afinal, do outro precisamos buscar reconhecimento da nossa existência, e não aprovação, e essas duas coisas são bem diferentes entre si.

Finalmente, o elogio não é da ordem do afeto, o eixo fundamental da educação familiar. É para garantir o amor dos pais que a criança se deixa educar. Por isso, muito mais efetivo para a criança é receber um beijo.

Ganhar um afago e perceber com clareza o quanto os pais estão orgulhosos -ou não- são manifestações de afeto que, além de solidificarem as relações amorosas, também funcionam como excelentes recursos educativos. Deixar os elogios para situações especiais só valoriza o seu uso.

Fonte:

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-09-16_2008-09-30.html

 

 

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1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 3

1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 3

Compartilhamos, abaixo, mais dois artigos para reflexão, ambos escritos por Rosely Sayão*.

* Rosely Sayão é psicóloga, consultora em educação e autora de vários livros

Leia nos sites de origem e, logo abaixo, os textos:

Em busca do bom senso […]

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2604200716.htm

Castigo e Impunidade

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1207200712.htm

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Em busca do bom senso […]

Na base de nossos conceitos e preconceitos educativos, tanto leigos quanto profissionais, existem algumas idéias a respeito do que significa ser uma criança ou um adolescente neste tempo que nos levam a cometer insanidades e a esquecer totalmente o bom senso. Acreditamos, por exemplo, que crianças sabem querer e que elas têm esse direito. Mas não temos a mínima idéia de como essa concepção é capaz de criar equívocos. Vejamos: se uma criança quer dormir na cama dos pais, estes, por mais que digam que não aceitam, no contato com o filho dizem, de maneira clara, que esse querer é legítimo.
Assim, milhares de crianças são privadas, todas as noites, de um sono reparador e, principalmente, de construir seu lugar em relação aos pais.
Outro exemplo é a criança pequena que só come em determinadas situações. Conheço crianças que almoçam passeando de elevador com a babá. Novamente, os pais não se dão conta de que eles autorizam -e até estimulam- tais situações. O que dizer, então, da idéia de que criança tem direito a ter respostas convincentes para tudo? São poucos os adultos que admitem responder ao filho que ele deve fazer determinada coisa simplesmente porque é necessário. A resposta dada tempos atrás, “porque sim”, é agora identificada como autoritária e considerada similar à “porque é preciso”. Por isso, pais e professores não consideram legítimo conduzir os mais novos a fazer coisas simplesmente porque é preciso. Eles buscam encontrar razões lógicas e, muitas vezes, se enrolam nessa empreitada. Já vi uma professora tentar convencer um aluno a escrever da esquerda para a direita sem sucesso porque a criança queria saber o porquê e a mestra não tinha uma boa resposta a dar.
E essa história de “autonomia” da criança? Temos levado isso tão a sério -ou melhor, de modo tão leviano- que abandonamos filhos e alunos em situações de endoidecer qualquer um deles. E a loucura na relação de adultos com crianças só aumenta porque, por outro lado, negamos alguns direitos básicos que elas têm em nome da proteção, em busca de evitar que sofram ou enfrentem frustrações e, principalmente, em nome da preparação delas para o futuro.
A criança tem o direito fundamental de brincar, certo ou errado? Assinalamos a segunda alternativa. Pais e professores simplesmente não permitem que a criança brinque. São eles que, agora, dirigem as brincadeiras e roubam a oportunidade de a criança criar seu jeito de brincar e de aprender a se virar sozinha em relação a essa atividade tão importante na vida dela, aliás, uma das únicas na qual deveria ter autonomia.
E o direito a participar das conversas que dizem respeito à própria criança, como sua saúde, seu comportamento, sua aprendizagem, seu castigo? Ah, isso não é coisa de criança! Ainda há médicos pediatras que pedem que a criança se retire depois do exame clínico para conversar só com o adulto; professores, diariamente, fazem observações de seus alunos aos pais destes na ausência das crianças. Em resumo: permitimos que elas falem bobagens quando não devem e impedimos que participem ativamente das conversas que efetivamente lhes dizem respeito.
Seria muito bem-vinda uma pedagogia baseada apenas no bom senso, não? Ou será que já perdemos isso?

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2604200716.htm

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Castigo e Impunidade

Que consideramos a impunidade um grande mal é fato; que creditamos a ela uma boa parte dos problemas de violência, também. Pensando nisso, como os pais ensinam aos filhos que seus atos produzem conseqüências?
Uma educadora me contou um fato interessante: um aluno cometeu uma transgressão e recebeu uma penalidade. No dia seguinte, o pai foi solicitar uma conversa com a orientadora. Quando isso ocorre, os educadores sabem o que esperar porque muitos pais não aceitam que o filho arque com as conseqüências de seus atos no espaço escolar ou não concordam com a sanção, que costumam achar severa demais.
Pois, para o espanto dessa educadora, o que o pai queria era manifestar apoio à atitude da escola para que o filho tivesse a oportunidade de aprender que os atos têm conseqüências. Vale dizer que o pai estava bastante sensibilizado com o tema por causa das notícias sobre comportamentos violentos praticados por jovens. Este é, portanto, um bom momento para refletir sobre o castigo.
De largada, vamos pensar a respeito do castigo corporal, amplamente usado por pais de todas as classes sociais. Ele costuma parecer eficaz porque produz efeitos imediatos, ou seja, o filho deixa de fazer o que não deve ou faz o que deve rapidamente. Mas tal efeito é efêmero, como os próprios pais podem constatar. Além disso, o castigo físico tem mais a ver com o humor dos pais ou com seu descontrole do que com o comportamento do filho. De qualquer forma, um castigo corporal é uma violência física contra os mais novos e, portanto, não pode ser educativo.
As punições exageradas e as que são aplicadas e não honradas pelos pais também ocorrem com muita freqüência. Um garoto que não fez a lição de casa antes de a mãe voltar do trabalho não pode assistir a seu programa de TV favorito por três dias. Muita coisa, não? Uma adolescente que não cumpriu o horário de retorno de uma festa foi proibida de ir à próxima, mas tanto reclamou e fez cara feia que ganhou dos pais a permissão.
Afinal, o castigo deve ser usado na educação e funciona? A resposta é sim para as duas perguntas. O castigo consistente pode ser uma boa estratégia para fazer frente às transgressões cometidas pelos filhos e para responsabilizá-los pelo que fazem. Para isso, é preciso que os pais, antes de aplicar uma punição, tenham uma atitude educativa firme e coerente.
Castigo em criança pequena não faz muito sentido. A contenção -que já é uma sanção- usada para que o filho deixe de fazer algo que não deve e a tutela constante para que faça o que deve já são atitudes suficientes. Colocar a criança pequena para “pensar” não se sustenta, já que ela nem sequer tem autonomia para tanto. Os pais de filhos nessa idade devem ter muita paciência e disponibilidade: não podem ficar bravos sempre que eles não se comportam de acordo com as normas nem podem achar graça nisso.
Para os maiores de seis anos, o castigo é educativo desde que precedido de regras claras e justificadas. A repetição das orientações, independentemente de elas serem ou não seguidas, não revela autoridade.
E é bom lembrar que o castigo aponta sempre o que não deve ser feito. Por isso, é insuficiente como estratégia educativa, já que queremos que os mais novos aprendam o que deve ser feito, o que é bom, o que é certo.
Tanto as atitudes educativas quanto a aplicação de castigos exigem que os pais usem bem a autoridade e as palavras dirigidas aos filhos, conversem praticando o olho-no-olho, escutem os filhos de maneira interessada e sejam coerentes.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1207200712.htm

 

CEB – Centro Educacional Brandão
http://www.ceb.g12.br
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1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 2

1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 2

Neste ano, o CEB está promovendo encontros com a comunidade para fomentar reflexões sobre educação, com o objetivo de nos tornarmos – trocando ideias e experiências – melhores na tarefa de educar nossos filhos.

Para ampliar temas discutidos no primeiro encontro realizado em 25/5, compartilhamos, hoje, mais dois textos que foram referências para discussões propostas na primeira reunião. Ambos foram inspirados em artigos escritos por Rosely Sayão* e também fazem parte de situações cotidianas de todas as famílias.

* Rosely Sayão é psicóloga, consultora em educação e autora de vários livros

Aqui estão os sites de origem e, logo abaixo, os textos:

Papai Noel existe?

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1312200709.htm

Adolescência e Autonomia

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1405200925.htm

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Papai Noel existe?

A mãe de uma garota com quase seis anos quer saber quando deve dizer à filha que Papai Noel não existe. Outra leitora, que não comemora o Natal por motivos religiosos, pergunta se os filhos – com menos de cinco anos – sofrem com essa diferença, já que até na escola o assunto do momento é a expectativa com a data. Outra quer saber se deve pedir aos familiares que não deem brinquedos eletrônicos aos filhos, já que ela não os considera adequados. Pois bem: vamos pensar a respeito de questões que afligem tantos pais nesta época.
O primeiro ponto a se levar em conta é que a primeira infância, que dura aproximadamente seis anos, é um período vivido de modo mágico. A imaginação nessa fase é fantasiosa, o mundo real tem menor peso do que o mundo do faz-de-conta e a relação com a vida é totalmente lúdica. É por isso que as figuras míticas fazem sucesso entre crianças dessa idade.
A passagem de uma fase para a outra não é repentina: é com suavidade que a criança se despede da primeira infância para entrar na vida marcada pelos signos do mundo adulto. Deixar de acreditar em Papai Noel é só um sinal que ela dá de seu crescimento, e ela própria anuncia aos pais a hora certa para ter suas suspeitas confirmadas. A filha de nossa leitora, por exemplo, disse: “Mãe, Papai Noel não existe, mas a fada dos dentes existe, não é?”
O que a criança pede aos pais é simples: o acompanhamento do ritmo em que trilham essa passagem. Para tanto, basta os adultos ouvirem os filhos com atenção. Eles dão as dicas.
O segundo ponto a se considerar é que, para os filhos, as referências que os pais lhes dão com segurança e coerência é que valem. Assim, as crianças cujas famílias não comemoram o Natal até podem enfrentar frustrações, mas essas vivências fazem parte da formação de sua identidade. Aliás, reconhecer as diferenças e vivê-las é um passo importante para a criança aprender a se respeitar como é e a respeitar os outros.
Finalmente, vamos pensar sobre os presentes. Será que os pais devem chegar ao ponto de controlar o que as crianças ganham? Alguns, como nossa leitora, têm a intenção clara de, ao restringir eletrônicos, garantir um estilo de vida infantil aos filhos. Outros, como um que solicitou que não dessem roupas, querem evitar que estes se decepcionem com o que ganham.
O fato é que é no cotidiano de convívio com os filhos que os pais precisam tomar suas providências e passar seus valores. Assim, se os filhos ganham algo que os pais não consideram adequado e não querem que ele use definitiva ou temporariamente, basta comunicar a decisão, que pode ser a de guardar o objeto até o momento em que julguem que o filho possa usar.
Quanto aos brinquedos, temos dado importância exagerada a eles. É preciso considerar que eles servem apenas de suporte para as brincadeiras, e que estas sim é que importam.
As atitudes dos pais frente a tais situações são simples e sensatas, mas costumam gerar protestos dos filhos. Normal: afinal, educar supõe mesmo desagradar aos mais novos, lembram-se disso?

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1312200709.htm

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Adolescência e Autonomia

[…] OS PAIS NÃO PODEM DAR AUTONOMIA AOS FILHOS: DEVEM CEDER ESPAÇO QUANDO ELES SE MOSTRAM CAPAZES DE EXERCÊ-LA

Muitos pais estão confusos quanto ao seu papel educativo quando os filhos atingem a adolescência. Uma mãe conta que o filho de 15 anos aderiu ao uso do narguilé (espécie de cachimbo) e que ela não sabe que atitude tomar. Diz que, apesar de saber que pode ser prejudicial à saúde, fica na dúvida se deve ou não proibir o uso, já que o filho poderá fumar escondido.

A mãe de uma garota que fará 15 anos diz que, mesmo sabendo que menores não devem ingerir álcool, servirá “bebida leve” com parcimônia na festa, pois, diz a filha, sem bebida os amigos não irão e a mãe quer que a reunião seja um sucesso.

Os pais de um jovem de 17 anos permitiram ao filho que levasse a namorada para dormir em casa por acharem que, dessa maneira, estariam garantindo segurança ao casal. O problema é que, além de o jovem ter trocado várias vezes de namorada em um curto espaço de tempo, agora se relaciona com duas simultaneamente.

O casal não sabe que atitude tomar porque acredita que não pode voltar atrás com o filho, que, afinal, já é quase um jovem adulto, mas não se sente à vontade com o que acontece.

Há algo em comum em todos esses casos: os pais abriram mão de sua coerência em nome da proximidade com o filho, da alegria e da satisfação dele. Em nenhum dos casos citados há convicção dos pais nas atitudes tomadas; há justificativas, apenas. Será que vale a pena fazer isso? Vamos analisar as consequências de atos desse tipo.

Considero que a educação que os pais dão aos filhos, seja ela do tipo que for, funciona como uma direção imposta a eles. Dessa maneira, eles aprendem o rumo que aquela família considera bom ou adequado. Mais ou menos como uma bússola: ela aponta sempre para o norte. Quem sabe usá-la e tem autonomia para escolher caminhos pode usar o instrumento como referência mesmo quando não quer ir para a direção apontada.

A educação que os pais dão aos filhos é assim: funciona como norte, como referência aos filhos, que, ao atingirem a autonomia, terão condição e liberdade de escolher outras direções para sua vida. Sem direção certa, os mais novos correm o risco de se perderem. A pergunta é: os adolescentes têm autonomia para tais escolhas? Ainda não. Adolescência é tempo de amadurecer, e amadurecer significa ganhar experiência a respeito da própria vida e da vida em comum, dar duro para estabelecer planos e aprender a agir para alcançá-los, batalhar para entender que direitos e deveres caminham juntos e que toda escolha gera consequências.

Autonomia é uma conquista árdua. Não é um ganho. Os pais não podem dar autonomia aos filhos: devem ceder espaço quando eles se mostram capazes de exercê-la. Ceder a casa – espaço dos pais – para que os filhos bebam, fumem, tenham encontros íntimos, não colabora em nada para que conquistem autonomia. O adolescente ainda exige tutela dos pais, que devem ter e manter a autoridade para exercê-la. Essa atitude permitirá o acesso dos filhos à maturidade exigida pela vida adulta.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1405200925.htm

 

 

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Alameda dos Tupiniquins, 997 – Moema – SP

1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 1

1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 1

Neste ano, o CEB está promovendo encontros com a comunidade para fomentar reflexões sobre educação, com o objetivo de nos tornarmos – trocando ideias e experiências – melhores na tarefa de educar nossos filhos.

Para ampliar temas discutidos no primeiro encontro realizado em 25/5, a partir de hoje, compartilharemos dois textos que foram referências para discussões propostas nessa primeira reunião. Ambos foram inspirados em artigos escritos por Rosely Sayão* e também fazem parte de situações cotidianas de todas as famílias, tais como festas de aniversário, birras…

* Rosely Sayão é psicóloga, consultora em educação e autora de vários livros

Aqui estão os sites de origem e, logo abaixo, os textos:

Heranças de Família

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-05-01_2008-05-15.html

Ficou sem brigadeiro, mas ganhou educação

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1210200003.htm

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Heranças de Família

Recentemente, li um artigo sobre o caráter descartável de quase tudo na sociedade que enfatiza o consumo. Um trecho me chamou a atenção, porque o autor ressaltou uma perda significativa. Cada vez menos as pessoas deixam de herança aos filhos algum objeto de uso doméstico. Isso ocorre porque quase todos têm pouca durabilidade e também porque a moda é muito transitória.

Ele usou exemplos interessantes: até há pouco tempo, quase todas as famílias tinham algum móvel antigo que pertencera a algum antepassado -ou uma batedeira de bolo, uma máquina manual de moer carne etc. Lembrei-me de que tenho, em minha sala, um móvel antigo comprado por meu pai antes de eu nascer. Toda vez que passo por ele, lembro-me com carinho de meu pai, da minha infância e de seus ensinamentos. Sempre me emociono.

Mais do que decorar a casa, a função desses objetos é a de corporificar a história da família, lembrar às pessoas as suas origens. Pelo visto, as novas gerações não terão essa sorte.

Tal pensamento me fez associar a um outro: assim como os objetos de uso geral têm se tornado descartáveis, as tradições familiares têm se perdido. Corremos o risco de nos tornarmos uma geração de famílias anônimas: sem identidade própria, sem tradições nem costumes.
Desse modo, tanto faz ter este ou aquele sobrenome.

Muitos pais têm desistido de transmitir aos filhos o que receberam de seus pais no convívio familiar: certos costumes de reuniões com parentes, de estilo de comemorar datas e presentear, de maneiras de encarar as dificuldades da vida e, principalmente, o valor de algumas atitudes. Tudo isso em nome da mudança dos tempos.

Um fato é verdadeiro: o mundo hoje é diferente do mundo em que esses pais foram criados, por isso parece que nada do que aprenderam com seus pais serve para a educação de seus filhos. Mas essa idéia tem um problema: o de que a história pode ser ignorada.

Isso significa, como um amigo gosta de dizer, que os pais precisam, a cada dia, na relação com os filhos, “inventar a roda, começar do zero”. Isso torna tudo mais difícil, pois exige que os novos pais façam várias escolhas diariamente, e escolher é um processo complexo.

Tomemos um exemplo banal: a vida escolar dos filhos. Recebo, com regularidade, dúvidas dos pais sobre como proceder: acompanhar ou não as lições de casa, estudar ou não com os filhos, comparecer ou não às reuniões da escola, impor a leitura de tantos livros por mês ou não etc. O mais interessante é que, em quase todas as correspondências, eles dizem que, quando freqüentaram a escola, não tiveram esse tipo de ajuda dos pais.

A tradição de muitas famílias de delegar a responsabilidade escolar aos filhos tem se perdido, portanto. Por quê? Porque o êxito escolar hoje em dia tem sido muito mais valorizado.

Temos feito de tudo para dar aos filhos o que nossos pais não puderam nos dar, mas, ao mesmo tempo, temos negado ofertar a eles coisas importantes que herdamos. Talvez seja possível encontrar um equilíbrio nessa relação.

Fonte:

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-05-01_2008-05-15.html

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Ficou sem brigadeiro, mas ganhou educação

Quem não se incomoda quando está em uma fila e observa alguém, na maior falta de cerimônia, passar à frente fingindo que não percebe que muitas outras pessoas esperam por sua vez? Quem não se irrita quando anda pelas ruas e precisa, durante todo o tempo, desviar das pessoas que não enxergam nada, a não ser o próprio caminho? Quem não se sente enfurecido quando, ao atravessar uma rua na faixa de pedestre, precisa correr para não ser atropelado por um motorista que faz uma conversão proibida? Quem não se exaspera quando é empurrado em um local público, quando vê alguém sujar esse espaço com lixo individual?
Infelizmente, a lista de atitudes desse tipo poderia ocupar o espaço todo da coluna. Depois dizem que nossas crianças e nossos jovens carecem de limites. Pois sim! Todos os exemplos citados envolvem adultos, apenas eles. E, claro, como são os adultos que educam, ou não, os filhos, é esse tipo de futuro adulto que estamos deixando para este mundo. Por que temos filhos? Por muitos motivos, mas, em especial, para que o mundo continue e permaneça. E depende da educação que damos aos filhos a forma como este mundo vai continuar.
E, então, você já se perguntou como está educando o seu filho?
Você está preparando seu filho para ser um vencedor, para ser esperto, para saber competir e ganhar, ou para ser uma pessoa solidária, cooperativa, que sabe respeitar os outros e as regras da convivência coletiva?
Não, não estou me referindo a etiquetas, e é bom fazer logo essa distinção. Uso um exemplo: uma criança de menos de 6 anos vai a uma festa de aniversário, acompanhada pela mãe. Lá são servidas várias guloseimas à criançada, e uma mesa com o bolo e toda enfeitada com doces, entre eles o brigadeiro -ah, o delicioso brigadeiro, tentação quase irresistível-, permanece posta no centro do espaço. O usual é que só depois do tradicional parabéns ao aniversariante e o corte do bolo é que a mesa possa ser devidamente atacada. Todos os adultos presentes sabem disso, lógico.
Mas, às crianças, o que fica mesmo é a imensa vontade de comer o brigadeiro, todo vistoso e exibido lá na mesa. Pois bem, nessa festa eles se serviram do brigadeiro antes da hora. A mãe a que me refiro manteve-se firme em sua postura e não permitiu que o filho fizesse o mesmo. Resultado? Depois de o “parabéns” cantado, o filho caiu no choro por não ter-lhe sobrado um único brigadeiro. E foi aí que surgiu a dúvida para essa mãe: quando viu o sofrimento e a frustração do filho.
Deveria ela ter permitido que o filho seguisse os demais? Não, claro que não, se o que ela pretende é preparar o filho para que ele seja um adulto educado. Educado, e não apenas com bons modos, e não apenas que sabe obedecer as etiquetas do convívio social.
Saber esperar, conter uma vontade e, no caso dessa criança, arcar com a frustração de não saborear o brigadeiro é um custo, sem dúvida. Mas esse custo, esse sofrimento, tem um objetivo claro: permitir que o filho consiga ver além de si mesmo, de suas vontades imperiosas, de suas atitudes individuais e aprenda, cada dia um pouco, a se comportar como um ser que vive com outros.
Quando você sofrer novamente uma situação qualquer de desrespeito à vida em grupo, pense em seu filho, lembre-se do futuro e de como isso depende da educação que você lhe dá. Ensinar seu filho a ser esperto, a tirar vantagens individuais da vida, pode ter um custo muito mais alto do que, no presente, isso pode parecer.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1210200003.htm

 

 

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Sugestões para brincar em casa com os filhos

Sugestões para brincar em casa com os filhos

Dia 28 de maio é o Dia Internacional do Brincar.

No Brasil, o movimento Aliança pela Infância (Alliance for Childhood – uma rede que atua, desde 1997, facilitando a reflexão e a ação das pessoas que se preocupam com o cuidado e com a educação das crianças) tornou essa comemoração em a Semana Mundial do Brincar, que ocorre de 22 a 28/5.  Anualmente há um tema, e neste ano é “O Brincar que Encanta o Lugar”.

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Um dos nossos valores é o Direito à Infância. O CEB valoriza, respeita e preserva a infância em sua essência, garantindo aos alunos o direito de ser criança que brinca, experimenta, cria, imagina, descobre, ensina e aprende.

Além das atividades de recreação que acontecem diariamente para os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1, em especial, nesta semana, todos participaram de atividades recreativas em comemoração à Semana Mundial do Brincar.

Pensando em atividades para brincar com as crianças em casa e torná-la também um lugar encantado, seguem, abaixo, de acordo com a faixa etária, sugestões extraídas do livro “Brincar é preciso/Guia para mães, pais, educadores e para quem possa interessar”, de Marilena Flores – Editora Evoluir Cultural.

Bebês e crianças até 1 ano e meio gostam de:

  • Brincar com seus dedos, pés, paninhos e bonecos de pelúcia quando estiverem em seus berços, camas ou sobre um tapete no chão;
  • Brincar de esconder atrás de panos, lençóis, portas, etc.;
  • Diferentes texturas e tamanhos para tocar;
  • Entrar em contato com diferentes aromas: flores, temperos, sachês de chás, etc.;
  • Imitar gestos e sons de animais;
  • Pular sobre a cama, rolar no tapete, engatinhar, balançar os joelhos, etc.;
  • Utilizar brinquedos empilháveis com diferentes tamanhos e cores, com argolas ou de puxar;
  • Brincar com móbiles suspensos ou presos nas laterais do berço, os que emitem sons e luzes, de várias texturas, que apresentem contrastes de cores;
  • Ouvir músicas de ritmos calmos e palavras importantes para o desenvolvimento da linguagem. Gostam de utilizar objetos com diferentes sons como brinquedo de guizo e chocalhos;
  • Ouvir histórias curtas e ver livros com figuras simples e com texturas. Estes podem ser de pano ou material lavável e macio.

 

Crianças de 1 ano e meio a 3 anos apreciam:

  • Brincar de imitar gestos tais como lavar o rosto, limpar a casa ou engatinhar;
  • Brincar de “Imitar o Mestre”, ou seja, faça tudo que o Mestre mandar tal como andar de quatro, cantar como um galo, etc.;
  • Jogos corporais de equilibrar-se em um pé só, pular com os dois pés, correr com olhos fechados, brincar com bola ou rastejar em um túnel;
  • Ouvir uma pequena história e imitar os personagens principais, utilizando fantoches;
  • Brincar de “Faz-de conta”, fantasiando-se ou usando uma roupa velha ou de adulto;
  • Utilizar grandes caixas de papelão para fazer carros, lojas ou somente para explorar;
  • Utilizar blocos grandes de construção e de encaixe, em cores variadas;
  • Brinquedos com movimento e rodas: carrinhos de puxar ou empurrar, triciclos, cavalinho de pau;
  • Jogos com bola, brincadeiras com balões (bexigas);
  • Brincar com terra, areia e água;
  • Manusear diferentes instrumentos, tocá-los e cantar. Gostam das brincadeiras que envolvem música, gestos e expressão corporal;
  • Brincar com outras crianças, compartilhando um mesmo objeto, como por exemplo, entrar em uma caixa e ser empurrado, jogar bola, vestir uma boneca, etc.;
  • Brincar com crianças mais velhas o que desperta o senso de cuidado e oferece para as menores, modelos a serem seguidos.

 

Crianças de 3 a 4 anos gostam de:

  • Brincadeiras de roda, pular, correr, escalar, rolar, escorregar, etc.;
  • Andar de bicicleta;
  • Brincar com terra, água e areia;
  • Massa para modelar, tintas com cores variadas para pintar;
  • Brinquedos com movimento como carros, trenzinhos, aviões, barcos, etc.;
  • Brincadeiras de “Faz-de-conta”. Brincar de casinha, mamãe e papai. Gostam de imitar as atividades dos adultos, além de imitar outros seres;
  • Usar fantasias com seus heróis preferidos, brincar de fantoches e teatrinho.

 

Crianças de 4 a 6 anos apreciam:

  • Brincar de pular, correr, cantar e dançar;
  • Atividades como andar de bicicleta e outros brinquedos com rodas;
  • Brincar com bonecos e bonecas, casinhas, seus utensílios, móveis e vestimentas;
  • Usar fantasias, principalmente dos personagens com os quais se identifica;
  • Ouvir histórias, principalmente os de heróis e heroínas;
  • Teatro de fantoches;
  • Jogos com regras: memória, dominó e de tabuleiro;
  • Jogos de construção;
  • Massa para modelar, forminhas e potinhos, tinta não tóxica;
  • Caminhões, tratores, carros, aviões e trenzinhos.

 

Crianças dos 6 aos 9 anos apreciam:

  • Atividades que estimulem sua autonomia e iniciativa
  • Oportunidades para as brincadeiras espontâneas, o uso de materiais criativos, os jogos, as danças, os cantos, as múltiplas formas de comunicação, de expressão artística, de criação e de movimento;
  • Ir ao parque ou convidar os amigos para brincar em casa;
  • Atividades de iniciação aos esportes que facilitam o aprendizado de regras e de atuação em equipe;
  • Preferencialmente brincar de casinha ou de escola, se forem meninas. Gostam de cantar e dançar, além de brincar com bonecas. Os meninos, as acompanham às vezes, nessas brincadeiras e gostam bastantede jogos com movimentos e desafios;
  • Misturar ingredientes de cozinha e preparar alimentos simples na companhia de adultos;
  • Andar de bicicleta.

 

As crianças de 9 aos 12 anos gostam de: 

  • Jogos com bola, brincar na água, correr, saltar, equilibrar-se ou equilibrar objetos;
  • Mesclar atividades solitárias como ler um livro, assistir TV, com aquelas que incluem exercícios físicos, bem como os jogos em grupo ou com regras;
  • Acompanhar os pais em atividades esportivas ou frequentar clube ou escola esportiva, tudo como brincadeira e estando sempre atentos para evitar treinos agressivos bem como os excessos competitivos;
  • Aprender jogos cooperativos;
  • Participar de torneios de jogos com regras: dominó, xadrez e outros;
  • Atividades criativas como o desenho. Seus trabalhos tem grande riqueza de detalhes;
  • Oportunidades de experimentações científicas;
  • Atividades artísticas como o teatro que, em suas inúmeras formas de representação, é uma ótima oportunidade para que as crianças apresentem, de forma imaginativa, sua visão de mundo;
  • Música e dança;
  • Literatura infantil.

 

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