1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 1

1º Encontro Espiral do Saber – Sugestões para leitura 1

Neste ano, o CEB está promovendo encontros com a comunidade para fomentar reflexões sobre educação, com o objetivo de nos tornarmos – trocando ideias e experiências – melhores na tarefa de educar nossos filhos.

Para ampliar temas discutidos no primeiro encontro realizado em 25/5, a partir de hoje, compartilharemos dois textos que foram referências para discussões propostas nessa primeira reunião. Ambos foram inspirados em artigos escritos por Rosely Sayão* e também fazem parte de situações cotidianas de todas as famílias, tais como festas de aniversário, birras…

* Rosely Sayão é psicóloga, consultora em educação e autora de vários livros

Aqui estão os sites de origem e, logo abaixo, os textos:

Heranças de Família

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-05-01_2008-05-15.html

Ficou sem brigadeiro, mas ganhou educação

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1210200003.htm

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Heranças de Família

Recentemente, li um artigo sobre o caráter descartável de quase tudo na sociedade que enfatiza o consumo. Um trecho me chamou a atenção, porque o autor ressaltou uma perda significativa. Cada vez menos as pessoas deixam de herança aos filhos algum objeto de uso doméstico. Isso ocorre porque quase todos têm pouca durabilidade e também porque a moda é muito transitória.

Ele usou exemplos interessantes: até há pouco tempo, quase todas as famílias tinham algum móvel antigo que pertencera a algum antepassado -ou uma batedeira de bolo, uma máquina manual de moer carne etc. Lembrei-me de que tenho, em minha sala, um móvel antigo comprado por meu pai antes de eu nascer. Toda vez que passo por ele, lembro-me com carinho de meu pai, da minha infância e de seus ensinamentos. Sempre me emociono.

Mais do que decorar a casa, a função desses objetos é a de corporificar a história da família, lembrar às pessoas as suas origens. Pelo visto, as novas gerações não terão essa sorte.

Tal pensamento me fez associar a um outro: assim como os objetos de uso geral têm se tornado descartáveis, as tradições familiares têm se perdido. Corremos o risco de nos tornarmos uma geração de famílias anônimas: sem identidade própria, sem tradições nem costumes.
Desse modo, tanto faz ter este ou aquele sobrenome.

Muitos pais têm desistido de transmitir aos filhos o que receberam de seus pais no convívio familiar: certos costumes de reuniões com parentes, de estilo de comemorar datas e presentear, de maneiras de encarar as dificuldades da vida e, principalmente, o valor de algumas atitudes. Tudo isso em nome da mudança dos tempos.

Um fato é verdadeiro: o mundo hoje é diferente do mundo em que esses pais foram criados, por isso parece que nada do que aprenderam com seus pais serve para a educação de seus filhos. Mas essa idéia tem um problema: o de que a história pode ser ignorada.

Isso significa, como um amigo gosta de dizer, que os pais precisam, a cada dia, na relação com os filhos, “inventar a roda, começar do zero”. Isso torna tudo mais difícil, pois exige que os novos pais façam várias escolhas diariamente, e escolher é um processo complexo.

Tomemos um exemplo banal: a vida escolar dos filhos. Recebo, com regularidade, dúvidas dos pais sobre como proceder: acompanhar ou não as lições de casa, estudar ou não com os filhos, comparecer ou não às reuniões da escola, impor a leitura de tantos livros por mês ou não etc. O mais interessante é que, em quase todas as correspondências, eles dizem que, quando freqüentaram a escola, não tiveram esse tipo de ajuda dos pais.

A tradição de muitas famílias de delegar a responsabilidade escolar aos filhos tem se perdido, portanto. Por quê? Porque o êxito escolar hoje em dia tem sido muito mais valorizado.

Temos feito de tudo para dar aos filhos o que nossos pais não puderam nos dar, mas, ao mesmo tempo, temos negado ofertar a eles coisas importantes que herdamos. Talvez seja possível encontrar um equilíbrio nessa relação.

Fonte:

http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2008-05-01_2008-05-15.html

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Ficou sem brigadeiro, mas ganhou educação

Quem não se incomoda quando está em uma fila e observa alguém, na maior falta de cerimônia, passar à frente fingindo que não percebe que muitas outras pessoas esperam por sua vez? Quem não se irrita quando anda pelas ruas e precisa, durante todo o tempo, desviar das pessoas que não enxergam nada, a não ser o próprio caminho? Quem não se sente enfurecido quando, ao atravessar uma rua na faixa de pedestre, precisa correr para não ser atropelado por um motorista que faz uma conversão proibida? Quem não se exaspera quando é empurrado em um local público, quando vê alguém sujar esse espaço com lixo individual?
Infelizmente, a lista de atitudes desse tipo poderia ocupar o espaço todo da coluna. Depois dizem que nossas crianças e nossos jovens carecem de limites. Pois sim! Todos os exemplos citados envolvem adultos, apenas eles. E, claro, como são os adultos que educam, ou não, os filhos, é esse tipo de futuro adulto que estamos deixando para este mundo. Por que temos filhos? Por muitos motivos, mas, em especial, para que o mundo continue e permaneça. E depende da educação que damos aos filhos a forma como este mundo vai continuar.
E, então, você já se perguntou como está educando o seu filho?
Você está preparando seu filho para ser um vencedor, para ser esperto, para saber competir e ganhar, ou para ser uma pessoa solidária, cooperativa, que sabe respeitar os outros e as regras da convivência coletiva?
Não, não estou me referindo a etiquetas, e é bom fazer logo essa distinção. Uso um exemplo: uma criança de menos de 6 anos vai a uma festa de aniversário, acompanhada pela mãe. Lá são servidas várias guloseimas à criançada, e uma mesa com o bolo e toda enfeitada com doces, entre eles o brigadeiro -ah, o delicioso brigadeiro, tentação quase irresistível-, permanece posta no centro do espaço. O usual é que só depois do tradicional parabéns ao aniversariante e o corte do bolo é que a mesa possa ser devidamente atacada. Todos os adultos presentes sabem disso, lógico.
Mas, às crianças, o que fica mesmo é a imensa vontade de comer o brigadeiro, todo vistoso e exibido lá na mesa. Pois bem, nessa festa eles se serviram do brigadeiro antes da hora. A mãe a que me refiro manteve-se firme em sua postura e não permitiu que o filho fizesse o mesmo. Resultado? Depois de o “parabéns” cantado, o filho caiu no choro por não ter-lhe sobrado um único brigadeiro. E foi aí que surgiu a dúvida para essa mãe: quando viu o sofrimento e a frustração do filho.
Deveria ela ter permitido que o filho seguisse os demais? Não, claro que não, se o que ela pretende é preparar o filho para que ele seja um adulto educado. Educado, e não apenas com bons modos, e não apenas que sabe obedecer as etiquetas do convívio social.
Saber esperar, conter uma vontade e, no caso dessa criança, arcar com a frustração de não saborear o brigadeiro é um custo, sem dúvida. Mas esse custo, esse sofrimento, tem um objetivo claro: permitir que o filho consiga ver além de si mesmo, de suas vontades imperiosas, de suas atitudes individuais e aprenda, cada dia um pouco, a se comportar como um ser que vive com outros.
Quando você sofrer novamente uma situação qualquer de desrespeito à vida em grupo, pense em seu filho, lembre-se do futuro e de como isso depende da educação que você lhe dá. Ensinar seu filho a ser esperto, a tirar vantagens individuais da vida, pode ter um custo muito mais alto do que, no presente, isso pode parecer.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1210200003.htm

 

 

CEB – Centro Educacional Brandão
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